O Hipismo

Hipismo no Brasil

Nos séculos XVIII e XIX, no eixo Rio – São Paulo, eram comuns as cavalgadas e os torneios esportivos não-oficiais (corridas, simulações de combate e disputas com lança e espada contra bonecos de palha). Por reconhecer a importância do cavalo como arma de guerra, o governo procurou melhorar a criação nacional, importando da Europa garanhões puro sangue inglês (PSI).

O fato estimulou ainda mais a prática do esporte e motivou a criação de clubes e entidades reguladoras.

Já na década de 80, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) procura levar o hipismo ao público leigo do resto do país, por meio de concursos disputados fora dos clubes. A partir de então, o hipismo é disseminado para todas as regiões do Brasil. (Fonte: Confederação Brasileira de Hipismo)

Salto e Regras

Os ingleses sempre apreciaram as corridas de cavalos em campos livres ou com obstáculos naturais (cross country). A famosa caça à raposa, concurso em que os cavaleiros, acompanhados por cães, perseguiam e capturavam o animal em campos abertos, também estimulava a prática do hipismo.

A partir da segunda metade do século XIX, os ingleses resolveram criar um tipo de prova que lembrasse as famosas caçadas, mas que pudessem ser realizadas em um recinto bem menor. Pensando nisso, foram elaborados obstáculos previamente preparados que reproduzissem aqueles naturais normalmente encontrados.

As provas de salto têm o objetivo de demonstrar algumas qualidades do cavalo, como: força, potência, obediência, velocidade e respeito pelo obstáculo. O cavaleiro é avaliado pela sua equitação.

O vencedor da prova é o concorrente que tiver menos penalizações (pontos) e fizer o percurso mais rápido, o que somar mais pontos ou então aquele que mais se aproximar do tempo ideal, conforme o tipo de prova.

Guilherme Jorge (Couse Designer Olimpíadas Rio 2016)
Tabela de Faltas
  • Obstáculo derrubado ou uma de suas partes – 4 pontos
  • 1ª Desobediência – 4 pontos
  • 2ª Desobediência – eliminação
  • Queda do cavalo ou cavaleiro – eliminação
  • Erro no percurso – eliminação
  • Tempo excedido numa prova cronometrada – 1 ponto por cada quatro segundos
  • Eliminado o cavaleiro que não tiver adequadamente uniformizado
Course Designer

Ao longo dos anos, o processo de elaboração dos percursos sofreu grandes modificações. O uso de materiais mais leves na construção dos obstáculos e as distâncias calculadas de maneira técnica e não aleatória, passaram a exigir maior habilidade dos cavaleiros.

Os desenhadores de percurso são os responsáveis por definir quantos e quais serão os obstáculos e distribuí-los pela pista. Os conjuntos só conhecem o trajeto minutos antes da prova.

Os course-designers têm a responsabilidade de dar ritmo e qualidade à competição. O desafio é elaborar circuitos que exijam dos cavaleiros e amazonas muita agilidade e força, além de divertir o público.

Guilherme Jorge (Couse Designer Olimpíadas Rio 2016)
Gianni Samaja e o cavalo Harmonicus conjunto campeão em 1969.
The Best Jump

Em 2008, o The Best Jump completou 40 anos e consolidou-se no circuito nacional e internacional de hipismo. Foi através do esforço e persistência de apreciadores do esporte que o prêmio nasceu em 1969. O maior desafio era divulgar o hipismo e agregar novos adeptos. A dedicação e o profissionalismo de Alcy Resende, Hugo Cipião Ferreira, Oswaldo Lia Pires, Franco Batini, Jorge Gerdau Johannpeter e Sérgio Schapke deram início a um movimento que originou a premiação como conhecemos hoje. Atualmente o The Best Jump é referência para praticantes e amantes do esporte

O primeiro a vencer o grande prêmio foi o cavaleiro Gianni Samaja, com o cavalo Harmonicus. No ano seguinte, o ganhador foi Jorge Gerdau Johannpeter, montando Ébano. No início da década de 1990, a participação feminina ganhou destaque. Em 1992, a amazona Cláudia Itajahy Camarão foi a primeira mulher a vencer o grande prêmio do evento. E, em 1996, a australiana Vicki Roycrof foi a única competidora a zerar duas vezes o percurso da prova mais importante do The Best Jump. O concurso completou 25 anos em 1993 e entre os destaques daquela edição, estava a presença marcante de um dos melhores cavaleiros brasileiros, Nelson Pessoa Filho.

Grandes nomes marcaram a história do torneio como Jorge Gerdau Johannpeter, campeão em 1970; o tricampeão Nestor Francisco Lambre (1976, 1977 e 1990); José Roberto Reynoso Fernandez (1979 e 1980); Vitor Alves Teixeira (1985); Rodrigo Sarmento (1998 e 2006); Bernardo Resende Alves (1999 e 2001); André Bier Johannpeter (2000); César Almeida (2003 e 2005) e em 2007, José Roberto Reynoso Fernandez Filho.


Curiosidades

Embora fossem disputados nas olimpíadas da era antiga, os esportes hípicos somente recomeçaram a ser disputados na era moderna na Olimpíada de 1912, em Estocolmo;

A organização que disciplina as competições de Hipismo no Mundo é a FEI (Federação Equestre Internacional) e foi fundada na Bélgica, em 1921;

A primeira competição de saltos que se tem registro na história foi realizada em Londres, Inglaterra em 1869, pela Agricultural Hall;

Nestor Lambre quando venceu o The Best Jump em 1976.

O hipismo é uma das modalidades do pentatlo moderno. Segundo uma antiga lenda, um soldado ficou encarregado de levar uma mensagem a um rei. Ele começou a viagem a cavalo, mas o meio do caminho passou por diversos apuros que teriam iniciado às outras modalidades do pentatlo moderno (natação, esgrima, corrida e tiro);

A partir das Olimpíadas de Melbourne (1956), os civis começaram a competir em CCE. Até Helsinque (1952), somente os militares podiam participar;

A primeira participação do Brasil em uma prova com cavalos nas Olimpíadas aconteceu em Berlim, em 1936, no pentatlo moderno. Apenas doze anos mais tarde, nos Jogos de Londres, a delegação brasileira contou com atletas de adestramento.;

O fazendeiro neozelandês Mark Todd vendeu quase todas as suas terras para poder participar da prova de CCE em Los Angeles (1984). O sacrifício teve sua recompensa: campeão em Los Angele e bi em Seul (1988). O cavaleiro, que foi considerado o atleta do século XX pela Federação Internacional de Equitação, ainda foi bronze em Sydney (2000).